Artes Visuais

As dores de reumatismo de Guignard

Uma obra em destaque

Olívio Tavares de Araújo por Olívio Tavares de Araújo

Em vida, Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) foi extremamente infeliz. Tinha lábio leporino e palato fendido, regurgitava comida pela narina durante a refeição (imaginem o custo social disso), não conseguiu ter um amor correspondido, bebia muito, passava necessidades, vivia de favor em casa de amigos. Depois de morto, provou-se que foi um dos maiores pintores do modernismo, com um universo próprio cheio de poesia. Os quadros mais conhecidos são as paisagens imaginárias de Minas, com suas igrejinhas salpicadas no espaço. No entanto, Guignard pintou também numerosas figuras de Cristo e de São Sebastião. Estas eram feitas quando ele sentia suas dores reumáticas. Uma peculiar transposição da vida para a obra, que resulta em quadros tão belos quanto o destacado abaixo, o óleo sobre tela São Sebastião. 

Esta peça faz parte do catálogo de obras à venda da Blombô, o primeiro marketplace de arte online do Brasil.

Olívio Tavares de Araújo

Olívio Tavares de Araújo

Escritor e Curador de Arte
Reside e trabalha em São Paulo desde a década de 1970. Desenvolveu sua atividade nas páginas de vários jornais de Belo Horizonte, Brasília e São Paulo, e nas revistas Veja e Isto É. É autor de 14 livros e curador de dezenas de exposições. Também a partir de 1970, como diretor e montador, já realizou mais de cinquenta filmes de curta e média-metragem, a maioria sobre arte, vários deles premiados no Brasil e no exterior. Sua presença tem sido instrumental na formatação da cena artística brasileira durante mais de trinta anos. Olívio foi comissário do Brasil à 27ª Bienal de Veneza e membro de diversos conselhos e entidades, como as Comissões de Arte da Bienal de São Paulo, do Museu de Arte Moderna do Rio e do Museu de Arte Moderna de São Paulo. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte. Recebeu duas vezes o Prêmio Gonzaga Duque da Associação Brasileira de Críticos de Arte, em 1979 pelos primeiros filmes sobre arte, e em 1998 pelo melhor conjunto de trabalhos.

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